26 de set. de 2011

Coluna Chimarrão "POLÍTICA"

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Post p/ Chimarrão, em 26/09/2011

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A primeira reforma

Dilma Rousseff definiu que fará uma reforma ministerial em janeiro. Saem ministros enrolados e os que serão candidatos a prefeito, como Fernando Haddad. Ela também usará a reforma para tentar atrair para sua base o PSD, partido criado por Gilberto Kassab que já nasce com quase cinquenta depurados. Com isso, Dilma pretende ficar menos amarrada ao PMDB. Um ministério será oferecido a Kassab. Num primeiro momento, para ele indicar um aliado. Depois que deixar a prefeitura de São Paulo, o cargo pode ser dele próprio. Kassab, porém, afirma que seu partido não tem interesse em postos no governo.

Um tribunal para os amigos

O Rio Grande do Sul é um dos três estados que ainda contam com Tribunal de Justiça Militar - os outros são Minas Gerais e São Paulo. No restante do Brasil, policiais militares que cometem crimes têm de enfrentar a Justiça comum. Em sua campanha ao governo, o petista Tarso Genro prometia acabar com o tribunal. Mas, depois da posse, mudou de ideia ao perceber que a corte pode ser utilizada para empregar amigos. Há duas semanas, ele nomeou para juiz do tribunal o advogado Jorge Garcia, que já trabalhou para o governador e defendeu petistas gaúchos envolvidos com o mensalão. O Ministério Público, no entanto, conseguiu uma liminar para barrar a nomeação, alegando que Garcia não tem capacidade para o cargo (Revista Veja).

Hierarquia da Esplanada

Ideli Salvatti chamou na semana passada ao seu gabinete deputados, senadores, governadores e ministros para discutir a divisão de royalties do petróleo. Ao constatar que teria de deixar a Fazenda para ir ao Palácio do Planalto, Mantega telefonou a Dilma Rousseff e fez valer a hierarquia: ministro da Fazenda só vai ao Planalto quando chamado por Dilma. A reunião de Ideli acabou transferida para a sala de Mantega e todos tiveram de ser convocados novamente. É mais um desses exemplos da vaidade reinante na Esplanada.

Vinhos de contrabando

É conhecida em Brasília a rejeição dos líderes peemedebistas ao vinho servido no Palácio do Jaburu, residência oficial de Michel Temer. Recentemente, Eunício Oliveira surpreendeu-se ao descobrir o rótulo de um tinto chileno: "Michel, assim não dá, esse vinho é de supermercado, custa 30 contos". Nas conversas mais reservadas, Temer oferece a adega particular. Mas o "vinho de 30 contos" tem origem: boa parte das garrafas servidas no Jaburu vem de apreensões da Receita Federal. Assim é no Itamaraty, no Palácio do Planalto e em outras repartições. O fornecimento de bebidas apreendidas foi regulamentado por portaria da Receita editada há três meses.

A lobista fantasma

O Ministério Público Federal denunciou 21 suspeitos de envolvimento no esquema de fraudes nos convênios do Ministério do Turismo, mas não conseguiu pegar uma das principais operadoras da Esplanada. Conhecida por dirigentes de ONGs e funcionários de gabinetes pelo nome de Beatriz, ou Bia, a lobista consegue acelerar a liberação de recursos para todo e qualquer show, projeto ou evento cultural. Mas cobra um pedágio de 20% a 50% do valor do convênio. Bia é apadrinhada de um cacique petista, mas opera para todos os partidos. Quando a PF deflagrou a operação Voucher, ela desapareceu de Brasília.

Ideli descarta possibilidade de legalizar jogos para financiar saúde

O governo descarta qualquer possibilidade de buscar mais recursos para investimento em saúde pública pela legalização de jogos no país. A informação é da ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, que acredita em uma solução, até o dia 28 de setembro, para que a Câmara tenha condições de votar a regulamentação da chamada Emenda 29. Com exceção do PT, os demais partidos da base discutem, como forma de financiamento para a saúde, propostas como a utilização de recursos de royalties do pré-sal, o aumento da alíquota do seguro obrigatório de danos pessoais por veículos automotores de via terrestre, o DPVAT, ou ainda taxações extras para bebidas e cigarros. Para custear a saúde, a base admite até a legalização de alguns jogos no Brasil, com a destinação das taxações sobre bingos e outros jogos.

Vendo e compro

O mais novo aliado do vice-presidente Michel Temer (PMDB) é um prefeito que está prestes a vender, para a própria prefeitura, parte de um "buraco" de 9.967 metros quadrados, em Indaiatuba, que ele mesmo adquiriu dias após a sua eleição. O caso, aparentemente pitoresco, é um exemplo de como interesses públicos e privados se misturam na região metropolitana de Campinas, uma das mais ricas do País e hoje palco de escândalos políticos e ações policiais. É ali que o vice-presidente acaba de montar sua nova trincheira para 2012. Com a morte, no ano passado, do ex-governador Orestes Quércia, velho cacique do PMDB paulista, novas lideranças reforçaram o avanço de Temer pelo interior paulista. Uma das principais delas é o prefeito de Indaiatuba, Reinaldo Nogueira.

Cartas marcadas

No Congresso, pouquíssimos parlamentares gostariam de ver a reforma política aprovada antes de outubro, para que pudesse valer para as eleições de 2012. A maioria discute, debate e apresenta sugestões, mas é tudo de mentirinha. Deputados e Senadores empurram com a barriga mudanças capazes de aprimorar o processo eleitoral e institucional. Dão a impressão de estar a favor, mas, na realidade, pretendem deixar tudo como está. Sonho de noite de verão será esperar que votem alguma coisa para valer nas eleições de 2014. Nelas, mais estarão em jogo o futuro e as carreiras de Suas Excelências. Melhor deixar tudo como está.

Dinheiro só dos eleitores

Relator da Comissão de Reforma Eleitoral, o ministro do Supremo José Antonio Toffoli vai apresentar uma proposta polêmica em seu texto final: a proibição das doações de empresas a partidos e candidatos. Para ele, esse tipo de doação restringe a participação do cidadão e aumenta o risco de corrupção. Ele também é contra o financiamento público e defende a ideia de que apenas pessoas físicas financiem as campanhas. Por isso, quer facilitar as doações pela internet. A comissão foi criada pelo Senado e reúne especialistas do meio jurídico. O relatório final será apresentado em outubro e, a partir daí, as mudanças serão discutidas pelos parlamentares, que, possivelmente, vão se opor ao fim da principal fonte de financiamento de suas campanhas.

O curinga de 2012

A um ano e um mês da votação, as eleições municipais de 2012 já têm um pivô. É o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em viagens frequentes pelo país ou a partir do instituto que mantém na Zona Sul de São Paulo, Lula articula alianças, lidera reuniões, ouve e aconselha pré-candidatos, elabora estratégias, recebe parlamentares, defende nomes dentro e fora do PT. Nas últimas semanas, opiniões de Lula publicadas pela imprensa ganharam repercussão e se transformaram em referência – ou mote para políticos, partidos e comentaristas. Tudo sugere que, no ano que vem, Lula voltará a ser o principal personagem político de uma eleição que, pelo menos diretamente, ele não disputará. Será algo inédito no Brasil: um ex-presidente da República popular, livre e disposto a participar de campanhas municipais por todo o país.

Reforma política sai do forno

O Senado decidiu dar um passo à frente na tramitação da reforma política e vota nesta semana três propostas de emenda constitucional que alteram o sistema eleitoral. A primeira delas, a PEC 37, reduz de dois para um o número de suplentes de senador e veta a indicação para a vaga denjuges e parentes de segundo grau. A PEC 38 acaba com a reeleição de presidente, governadores e prefeitos. E a PEC 42 determina que projetos que mudem a lei eleitoral sejam submetidos a referendo popular. Para o presidente do Senado, José Sarney, com essa decisão, a Câmara não terá mais desculpas para adiar a votação da reforma política.

Retrato falado

A história dá voltas. Quatro décadas depois da guerrilha do Araguaia, o ex-deputado José Genoíno, um dos poucos sobreviventes da luta armada na selva, assumiu o papel de principal articulador da Comissão da Verdade. Assessor especial do Ministério da Defesa, ele ganhou carta branca para negociar com os militares a criação do órgão destinado a resgatar os episódios dos anos de chumbo. Genoíno avisa que não haverá revanchismo nem constrangimento.

Guerra é guerra

Em sua recente passagem por São Paulo, o ministro da Defesa da Argentina, Arturo Puricelli, conversou com seu colega Celso Amorim sobre a possível revitalização no Brasil de cerca de 500 mísseis ar-ar Magic 2 e Exocet, que foram comprados da França na década de 1980. A Avibrás e a Mectron são as empresas cogitadas para executar a tarefa. Na Guerra das Malvinas, os franceses forneceram aos britânicos os códigos para desviar todos os foguetes lançados pela esquadrilha argentina, tornando inócuo o poderio dos hermanos. A ideia agora é recapacitar esses mísseis com sistemas eletrônicos autônomos.

Marta larga na frente para 2012

O resultado da pesquisa Datafolha é um alento para a ambição da senadora Marta Suplicy (PT-SP) de disputar as eleições para a prefeitura de SP no ano que vem. Mesmo desgastada com as duas últimas derrotas na capital – para Serra, em 2004, e para Kassab, em 2008 –, que contaram com campanhas desastradas (como quando instigou o eleitor a se perguntar se o adversário do DEM era casado ou tinha filhos), a ex-prefeita foi quem largou na frente na corrida eleitoral. A pouco mais de um ano da eleição, ela aparece em vantagem sobre qualquer adversário – Serra, Gabriel Chalita, Celso Russomano, Aloysio Nunes, Netinho de Paula, Soninha, José Aníbal, Bruno Covas… – nas simulações de voto feitas pelo instituto. No cenário mais apertado, Marta teria 11 pontos de vantagem (29% contra 18%) em relação a Serra.

Tomou Doril

Depois de circular intensamente pelo Palácio do Planalto, o professor Mangabeira Unger está com as portas abertas da Casa Rosada, a sede do governo argentino, certamente para dar conselhos à presidente Cristina Kirchner, que está correndo para garantir a reeleição. Ele poderá ser convidado para assessorá-la na reta final da eleição. O cientista político poderá abrir mão de um salário de US$ 270 mil anual, como professor de Harvard. qualquer jogo político, ele está pronto para entrar em campo.

Nepotismo

Além de truculento, como é, confundindo o que é público do que é privado, o coronel Hugo Chávez está tratando a república da Venezuela como uma monarquia, acolhendo todos os familiares. Em primeiro lugar, os irmãos. Há poucos dias nomeou o irmão mais novo, Argenis Chávez Frías, para presidir a Corporação Elétrica Nacional (Corplec). O irmão mais velho, Adón, está no banco de espera para assumir o Palácio de Miraflores, a sede do governo federal. Caso esteja chegando para prestar contas com o chefe lá de cima, ele quer porque quer ter o irmão como sucessor (Brasília em Dia).

Pobre rico

Não bastasse ser o ditador cruel, que matava os adversários, além de dormir com dúzias de adolescentes em sua megasuíte, sabe-se agora que Muamar Kadafi também é um ladrão do que não lhe pertence. Quando começou a crise em Trípoli, rapidamente ele vendeu 20% das reservas de ouro do país, como comunicou oficialmente o presidente do Banco Central, Qasem Azoz. Ou seja, 30 toneladas de ouro, avaliadas no mercado em US$ 1 bilhão, negociadas com comerciantes locais. Difícil mesmo vai ser ele gastar esse dinheiro.

Êta Brasil!...

Bem que a presidente Dilma Rousseff deveria também lançar seu raio laser nos corruptos do Piauí, já que ela quer acabar com a bandidagem com o dinheiro que os contribuintes deixam nos guichês de impostos. Qualquer cidadão fica com uma enorme espinha de peixe atravessada na garganta ao saber que em uma cidade do Piauí, chamada São Raimundo Nonato, tem um tal de Aeroporto Serra Capivara, que já consumiu R$ 25 milhões - e estão pedindo mais dinheiro. O aeroporto simplesmente não existe. Estão brincando com o dinheiro público com a maior desfaçatez.

Reflita:

"Em política os remédios brandos agravam freqüentes vezes os males e os tornam incuráveis."
( Marquês de Maricá )

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3 comentários:

  1. Quanto a legalização de jogos (Cassinos).

    Poderia ser analisada a legalização de jogos em cidades turísticas com Florianópolis e Vitória por exemplo.

    Curiosidade.
    Ao mesmo tempo em que investimos em programas sociais para reduzir as diferenças econômicas, criamos a cada semana através das loterias da Caixa mais um novo multimilionário.

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  2. Quanto a legalização de jogos (Cassinos), poderia ser analisada a liberação em cidades turísticas como Florianópolis e Vitória por exemplo.

    Curiosidade.
    Ao mesmo tempo em que investimos em programas sociais para reduzir as grandes diferenças econômicas, criamos a cada semana através das loterias mais um novo multimilionário.

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  3. Jorge, seus comentários são embasados de muitos argumentos que podem convencer, se houver vontade política de nossos governantes, a realizar as mudanças que poderão render melhorias significativas. A ideia da liberação dos cassinos em cidades turisticas é fantática e porque não, pois enquanto isso não ocorrer, a jogatina ilegal corre solta país afora. Continue contribuindo com este espaço, pois é de participações nesse aspecto que sempre preconizei, pois colabora e ilustra ainda mais os textos postados. Abraços!!!

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