23 de mai. de 2011

Enquanto isso, no ninho Tucano...

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Post p/ Chimarrão, em 23/05/2011
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...a tropa se engalfinha. E, com tanta disputa interna, ninguém ainda teve tempo de pensar na estratégia para as próximas eleições.

O PSDB nunca primou pela unidade. Mas poucas vezes se viu o partido tão esfacelado como agora. Enquanto a tropa adversária avança, seus generais se engalfinham e tentam dizimar uns aos outros. Depois da eleição presidencial do ano passado, os tucanos acreditaram que, com um discurso bem calibrado e a força dos governos estaduais que conquistaram, conseguiriam alinhavar um conjunto de propostas que lhes permitiria apresentar-se em 2014 como alternativa ao modo petista de governar. Passados seis meses, o partido continua a se comportar como um cachorro que persegue o próprio rabo - sem discurso, sem bandeira e com suas lideranças alternando ataques velados e traições explícitas.

Embora o pomo da discórdia seja sempre o mesmo - quem será o candidato do partido à Presidência da República -, cada crise forjada em ninho tucano tem seu próprio enredo. O último começou com o PSD, a legenda "nem de direita, nem de esquerda, nem de centro" criada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, ligado a Serra e egresso do DEM. Em poucas semanas, o PSD arregimentou um número razoável de seguidores, mas o que chamou a atenção de observadores políticos foi o fato de o punido, nesses movimentos, ter criado problemas tanto para o senador mineiro Aécio Neves quanto para o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Aécio ressentiu-se do fato de Kassab ter cooptado nomes importantes do DEM, esmorecendo a legenda. Aécio e a direção do DEM têm um acordo verbal para marcharem juntos em 2014. Se um perde força, o outro se enfraquece. Em relação a Alckmin, o prefeito paulistano causou estrago maior. Kassab estimulou seis vereadores a abandonar o PSDB na cidade de São Paulo. Para um governador que precisa eleger um aliado para a prefeitura paulistana em 2012, foi uma tremenda rasteira.

Serra jura que não tem nada a ver com as manobras de Kassab, mas os lideres do PSDB estão convencidos do contrário: enxergam a digital do ex-governador em todas as articulações do prefeito. Alckmin chegou a questioná-lo diretamente sobre o assunto. Em conversa reservada, disse a Serra que "todo o Brasil" atribui a ele a criação e os volteios do PSD. O tucano negou e foi além: afirmou que o futuro dele e o de Alckmin estão amarrados. Chegou a dizer que, em 2014, um dos dois deveria sair candidato a presidente e o outro a governador de São Paulo, cabendo a Alckmin escolher qual iria para cada disputa. Queria selar um pacto de apoio mútuo. A conversa não foi bem digerida. Para o governador, soou como uma proposta de sabotagem direta a Aécio, que também sonha com o Planalto. Há poucos dias a irritação de Alckmin aumentou. Ele foi apontado por parte da imprensa de São Paulo, inclusive em editoriais, como responsável pela crise no partido. O governador atribuiu a origem dos ataques a Serra. A plantação de informações não seria uma novidade no currículo dele.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se uniu a Alckmin e tam¬bém está inconformado com as movi¬mentações recentes que abalaram o ni¬nho tucano. Serra é um gigante político tanto dentro quanto fora do PSDB. Mas, nos últimos meses, está deixando claro a seu partido que só sabe fazer política contra seus aliados, nunca a favor - crí¬tica que também já foi feita a Aécio e a Alckmin. Em sua disputa intestina pelo poder, o PSDB dispersa suas fileiras e fortalece os rivais. Os erros que o partido cometeu no passado ainda cheiram a tinta fresca. Mas tudo indica que o PSDB não aprendeu nada com eles (Veja on line).

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