Post p/ Chimarrão, em 29/05/2011
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Ao reincorporar Delúbio Soares aos seus quadros, o PT reivindica para si a impunidade das elites brasileiras contra a qual um
dia teve a pretensão de lutar. Já faz tempo que a diferença entre o PT e as elites não é mais de classe, mas de estilo. Apesar de criadas no leite gordo, como foram por Lula, as elites ainda preferem o jeitinho tucano, mais "refinado". Fiel aos seus, Delúbio quis comemorar sua volta ao PT com uma churrascada na roça. É claro que nenhum petista conhecido apareceu por lá. Só o aceitaram no partido pela razão óbvia de que ele sabe coisas demais e pressionou até exaurir "o senso ético" do petismo.
Delúbio, hoje, é como alguém que pegou lepra: ninguém quer
chegar perto. Um pouco como Zé Dirceu, embora este ainda exerça fascínio sobre certa militância e alimente a mitologia em torno do "Che Guevara de Passa Quatro". Entre a volta de Delúbio ao PT e a decisão recente do STJ, que anulou os resultados da Operação Castelo de Areia, da PF, não há nenhuma relação objetiva. Mas nã
o haveria entre esses episódios distintos uma espécie de "afinidade eletiva", de comunhão secreta? Não são retratos do país da impunidade de uns poucos, que o PT agora ratifica? O argumento capenga de que Delúbio "já pagou" e "não há pena perpétua no PT" equivale, simbolicamente, à decisão da Justiça de anular as provas -fartas, contundentes- contra a Camargo Corrêa, sob a alegação de que foram obtidas por meio de denúncia anônima. Num caso, ele "já pagou!"; no outro, "as provas não valem!". Tal política, tal Justiça. Mas qual país?
Fernando de Barros e Silva – Folha São Paulo
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