22 de abr de 2015

Gaúchos podem ir à Justiça contra fusão de siglas

POLÍTICA

Integrantes das bancadas federais do Dem e do PTB repudiam nova legenda

 
Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados / Divulgação


Pode terminar no Judiciário eventual fusão entre PTB e Dem, proposta por líderes nacionais das duas siglas, se depender da resistência de parlamentares gaúchos na Câmara dos Deputados. Enquanto petebistas ameaçam ir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) questionar a fusão e preparar uma possível saída em massa no caso de a ideia se concretizar, integrantes do Dem ameaçam levar o caso à Justiça. “Tomaremos todas as medidas políticas e jurídicas possíveis para impedir essa irracionalidade”, avisa o deputado federal Onyx Lorenzoni, presidente do Dem gaúcho. Para ele, seria “impossível misturar doutrinas políticas completamente diferentes”.

De acordo com Onyx, o período é inadequado para o debate. “Um tema desses não poderia estar sendo tratado antes das eleições municipais. Todos temos compromisso de lealdade com nossos eleitores. O PTB representa a doutrina trabalhista. O Dem segue uma ideologia liberal, mais conservadora.”

No PTB, o deputado federal Sérgio Moraes adverte sobre a possibilidade de uma debandada. “Dos 25 componentes da bancada, não ficariam dez”, contabiliza. Segundo ele, um grupo de parlamentares aguarda resposta de consulta feita ao TSE para saber se, no caso de não aderirem à nova sigla, os deputados poderão manter sua cota para tempo de propaganda em rádio e TV. Querem saber ainda se mantêm o direito à parcela do Fundo Partidário. 

Questionado sobre o rumo que tomaria no caso de fusão, o deputado resignou-se: “Ficaria num mato sem cachorro”. Um dos desconfortos, explica ela, seria a adoção da nova sigla, que passaria a ser PTB-25, segundo a proposta. “O PTB é 14. Eu sou 1412, um dos fundadores do partido. É a minha identidade. Está todo mundo apavorado com essa possibilidade”, desabafa Moraes.


Presidente estadual do PTB, o deputado federal Luiz Carlos Busato confirma o risco de esvaziamento. “Se a fusão for decidida no cabresto, saem 22 dos 25 membros da bancada.” Busato revela que a bancada solicitou à executiva nacional prazo para discutir o tema com a base partidária. “Não tenho restrição ao Dem, mas o debate é de todos.”


Bancada na AL vê fortalecimento

A posição dos deputados federais Sérgio Moraes e Luiz Carlos Busato, do PTB, não é acompanhada pelos deputados estaduais da legenda. Segundo o líder da bancada na Assembleia Legislativa, deputado Aloísio Classmann, a percepção é de que a fusão com o Dem poderia fortalecer o PTB “em tempos de turbulência partidária”. “Não vejo problema. Estamos diante do debate sobre a reforma política, que deverá acarretar a redução no número de partidos”, avalia Classmann. Questionado sobre o distanciamento, entre seu partido e o Dem, do ponto de vista ideológico, o petebista diz acreditar que a convivência poderá ser renovadora, a partir da chegada de novas lideranças.


Companheiro de bancada, o deputado Marcelo Moraes, filho do deputado federal Sérgio Moraes, defende que todos os petebistas, em especial os detentores de mandatos, devem ser ouvidos no processo que trata da fusão. Para ele, uma eventual unificação não poderá atingir a doutrina trabalhista. “Estamos abertos para receber novos companheiros, mas não podemos admitir que isso modifique as bandeiras do PTB”, argumenta.

Correio do Povo

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